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Fanfic por Ana-chan & Lalachan
Capítulo 2: Meio-irmão - Hn! Eu disse que ia ser a maior perda de tempo! - resmungou Inuyasha, com a expressão invocada. - Melhor assim, né? - tratou de emendar Sango, antes que Kagome se irritasse de vez - Depois, foi bom passar esses dias assim. Foi como tudo começou... Miroku passou o braço ao redor dos ombros dela, compreendendo-a perfeitamente. Apesar de tudo, sabia que todos ali sentiam um certo saudosismo do tempo em que percorriam o país ao encalço dos famigerados fragmentos da Jóia de Quatro Almas. Tempos duros, mas cuja marca permaneceria em cada um deles para sempre. Kirara soltou um miadinho, juntando-se mais ao grupo. Depois de quase três anos, estavam na estrada novamente. Talvez uma parcela da preocupação com o sumiço do irmão de Inuyasha não passasse de pretexto para que viajassem juntos novamente. - Sango-chan, se quiser voltar... - Kagome parecia a mais preocupada com a frustração da jornada. - Tudo bem. Higen-chan está com Keade-sama e o meu irmão. Deve estar sendo mimado o suficiente. Se até o final do dia continuar tudo calmo, voltarei com a Kirara. Kagome sorriu, imaginando se no lugar dela, conseguiria ficar mais do que algumas horas longe do filho. Mesmo depois de ter tido o primeiro filho, a exterminadora de youkais continuava com uma disposição invejável. Inuyasha parou. Kagome já o conhecia o suficiente para saber a razão. Ele sempre parava de andar do nada quando captava um cheiro diferente. - Alguma coisa, Inuyasha? - perguntou Shippou. - Hum... Sesshoumaru esteve nessa região. Mas já deve ter alguns dias. - Agora que viemos até aqui, seria bom tentar encontrá-lo - ponderou Miroku - Mesmo estando tudo aparentemente calmo... - Bah! Já andamos o suficiente para sabermos que não há nada de errado...- insistiu o meio-youkai. - Vamos tentar encontrá-lo, Inuyasha. Nem que seja só para termos certeza de que não há jeito... Pela Rin-chan... - interveio Kagome. - Já disse que ela fica muito melhor vivendo na vila! Ele continuou a andar, a despeito do que dissera. Kagome e os outros sabiam que estava seguindo cuidadosamente o rastro do irmão, embora fizesse de tudo para parecer o mais contrariado possível. Inuyasha e Sesshoumaru nunca havia tido um bom relacionamento e tudo indicava que isso jamais mudaria. No entanto, mesmo um observador desatento podia notar que não havia mais a animosidade de antes. Há alguns anos, os irmãos haviam aprendido a se tolerarem, o que já era um progresso e tanto. Tinham até amigos “em comum”, no caso, a pequena Rin. E era também por ela que Inuyasha seguia em frente. No fundo ele sabia que a menina jamais ficaria melhor depois de ser deixada para trás. Entraram numa floresta, bastante iluminada a princípio, mas cujas árvores pareciam mais antigas e assustadoras a medida em que se embrenhavam. Inuyasha e Shippou já tinham ouvido falar daquele lugar, pontos de florestas antigas em que árvores-youkai montavam suas armadilhas. Tal lugar não chegava a representar perigo para um grupo como o deles. Somente a presença de uma miko poderosa como Kagome já seria o suficiente para deixar as árvores bem quietas. Mesmo assim, a mão de Inuyasha foi parar no cabo da Tessaiga. Continuava a ser uma sensação incrível ter as duas katanas de seu pai presas à sua cintura. Era como se nunca tivessem se separado antes, como se Sesshoumaru nunca tivesse possuído uma delas, ou melhor, como se ele nunca tivesse existido... Pois era esse um dos aspectos que a sensação de ter as duas assim lhe trazia. Só que ainda era cedo para contar isso a mais alguém. - Por aqui novamente, filho do Inutaishou? Inuyasha se virou em direção ao som, sem saber onde identificá-lo. O resto do grupo também parou, um pouco tenso. O hanyou sabia que ninguém se aproximara. Quem poderia ter dito aquilo? - Quem está aí? - perguntou, com firmeza. - Ora, quem mais... - Dois olhinhos pretos e redondos como caroços pareciam espioná-lo entre camadas de casca de madeira fibrosa. Era uma árvore quem lhe dirigia a palavra, em tom cordial. - Quem é você? - Que memória fraca... Esteve aqui há poucos dias se não me engano... - Eu não estive aqui, árvore idiota! - Como não? Posso ter a visão fraca, mas reconheceria a pulsação desta espada feita do canino do Inutaishou em qualquer lugar. - Os olhinhos negros pareciam vibrar, em sinal de esforço - Ou não... São duas katanas agora. Podia jurar que antes era apenas uma. O grupo se entreolhou. Naturalmente a árvore-youkai estava confundindo os irmãos. - Baka! Quem esteve aqui, se é que o que diz é verdade, foi meu irmão, Sesshoumaru. - Seja gentil, Inuyasha... - sussurrou o monge - Se ele viu Sesshoumaru há pouco tempo, pode ser que ele saiba de alguma coisa. - Sim... - a árvore continuou - o youkai que tem a lua na testa, parecido com aquele que foi lacrado. Se entreolharam novamente. Inuyasha ergueu os ombros, dando a entender que, assim como os outros, não estava entendendo patavinas. - Que história é essa, árvore velhota? Quem foi lacrado? - O filho da lua. Como aquele que esteve aqui, há poucos dias. O cão branco que foi lacrado pelo Inutaishou. Agora posso ver que não são a mesma pessoa. Você é só um hanyou... - Escute aqui, seu... - Com licença, - interrompeu Miroku - Quando o senhor fala de lua, se refere a um sinal em forma de lua, como aquele que o Sesshoumaru tem na testa? - Sim. Antigamente, os youkais com esse sinal eram chamados desse jeito. Há muitos anos não via alguém assim. O último que vi foi o que foi lacrado na montanha. Sabia que o Inutaishou tinha deixado um herdeiro. Estranho que seja um filho da lua, se o próprio Inutaishou não o era... - Diga-me, senhor, em que direção o Sesshoumaru foi? - Para o norte, eu acho. - Muito obrigado pelas informações. - Ora, de nada. Ao menos são mais bem educados do que aquele youkai. Saiu sem dizer nada... Onde já se viu? O grupo se distanciou um pouco, antes de começar a trocar idéias. Um coisa era certa: Sesshoumaru tinha ido a outro lugar antes de voltar para onde estavam Rin e Jaken. Todos concordaram também que, o que quer que houvesse por trás da súbita mudança no comportamento do irmão de Inuyasha, era de ordem pessoal, e não fruto de algum perigo ou ameaça. Infelizmente, Inuyasha nada sabia sobre o clã de seu pai, além do pouco que Miyuga havia lhe contado. Nunca teve curiosidade a esse respeito tampouco, já que jamais seria aceito entre youkais “puro-sangue” como seu irmão. Só sabia que havia uma certa disputa, territorialidade e algum nível de rivalidade entre os Daiyoukai. Sesshoumaru certamente tinha outros problemas na cabeça, ou não viveria como quem está sempre pronto para ir para a guerra. De todo modo, uma crise desse tipo explicaria o abandono de seus companheiros, mas não da Tenseiga. - Sabe, talvez a menina tenha se enganado. Pode ser que Sesshoumaru tenha deixado a Tenseiga com ela apenas por um tempo - ponderou Miroku. - Bah, estou com fome. Kagome, o que tem aí? - Deixa de ser esfomeado, Inuyasha! Não tem nem três horas que paramos para almoçar! - Mas eu já estou... - Sen... - Tá bom! Tá bom! Não acredito que você ainda teria coragem de fazer uma coisa dessas, mulher! - Me provoca só pra você ver... - Eu não tô te provocando! Só disse que estou com fome! - Ai... quando será que o Inuyasha vai amadurecer... - suspirou Shippo, que recentemente estava se sentido muito “adulto”. - Fica quieto, pirralho, ou eu te dou uns cascu... - Senta. Poft!! - Kagooome, por que fez isso... - Fica bonzinho tá? Estamos quase chegando. - Deixa ele, Kagome-chan - sussurrou Sango - Ele ainda tá contrariado... - Pra variar... - E por que temos que vir aqui, visitar aquele velho trapaceiro? - Tenha paciência, Inuyasha. Acho que é mais seguro vermos se está tudo certo com a Tenseiga antes de voltarmos para casa. Só por desencargo, sabe como é. - E por que precisamos do idiota do Toutousai pra isso? - Porque ele forjou a espada. - Porque o baka do Inuyasha não tem a menor idéia de como a Tenseiga funciona - disparou Shippou, já se chegando para junto das pernas de Kagome. - Grrr... cala essa boca, seu pivete de uma figa... - Olha, chegamos! - exclamou Sango, apontando para um rastro de fumaça mais adiante. Sango e Miroku subiram em Kirara, levando Shippou antes que o pequeno kitsune levasse mais alguns cascudos. Logo abaixo, podiam ver Kagome sendo levada por Inuyasha. Logo chegariam ao esconderijo de Toutousai, o ferreiro, última parada daquela jornada. Felizmente para os humanos do grupo o velho ferreiro há muito se mudara do antigo esconderijo cercado por gases venenosos demais até para certos youkais. Este lugar pelo menos era só de difícil acesso, afinal estiveram subindo aquela montanha por horas... - Acha mesmo que pode haver algo errado com a Tenseiga? - perguntou Sango. - Na verdade, não. Antes de voltarmos,
só tem mais uma coisa que eu gostaria de verificar.... - respondeu-lhe
Miroku com a expressão pensativa.
“Sesshoumaru, quantas vezes eu te disse pra não sumir de vista desse jeito?” “Gomenassai, chichi-uê.” “Não importa o quanto ache que é forte, ou o quanto ache que os outros são fracos. Não quero que se afaste por tanto tempo, estamos entendidos?” “Hai.” “Agora vamos.” Os dois seguiram pela trilha na floresta. Havia um longo percurso pela frente, embora isso não fosse exatamente um problema. Costumavam parar mais por hábito do que por necessidade. Sabia que seu filho, mesmo sendo tão pequeno, seria capaz de segui-lo por dias sem se cansar e talvez ainda por mais tempo antes de se permitir demonstrá-lo. Sabia também que se não quebrasse o silêncio, este jamais seria quebrado, a menos que encontrassem alguém no caminho. “Não precisa ficar assim” disse, sem olhar para trás, mas num tom ameno “Não estou zangado... Será que dá pra me dizer o que você tem agora?” “Eu não tenho nada.” “Ora, vamos... Se não falar comigo, vai falar com quem? É pra isso também que os pais servem.” “Estou bem.” “Se prefere assim.” “Chichi-uê...” O youkai segurou o sorriso, com medo que o garoto percebesse e desistisse de falar. Mas não podia evitar de achar graça no esforço que o menino insistia em fazer para parecer sério e independente. “... posso perguntar uma coisa?” “Até duas.” “O que é um filho da lua?” A pergunta inesperada desfez o sorriso do youkai. Seu passo mudou de ritmo, embora tenha conseguido não parar. “Andou conversando com as árvores novamente, Sesshoumaru?” “Não... Quer dizer... Uma delas falou comigo.” “Filho da lua é como os antigos chamavam os youkais com sinal em forma de lua” o Inutaishou respondeu, sem dar margem a que o assunto fosse esticado. “Eu sou um filho da lua?” “Isso não significa nada, Sesshoumaru. É só um termo que quase ninguém mais conhece.” “Por que...” “Não gosto quando dá confiança para youkais inferiores. É isso que faz quando desaparece por aí? Perde tempo conversando com árvores tolas?” “Chichi-uê, eu não...” “Não importa. Esse tipo de bobagem não é um assunto apropriado.” Deram mais alguns passos, novamente em silêncio. O Inutaishou sabia que não seria mais importunado, o que não o fazia sentir menos culpado. Ainda que seu filho fosse dotado de um peculiar senso de hierarquia, a ponto de jamais demonstrar qualquer sinal de aprovação ou desagrado quanto às suas atitudes, detestava quando agia com ele de modo incoerente ou dizia coisas sem pensar. Não que não fosse seu direito tratá-lo com bem entendesse. Só que sempre acabava com uma pontada de remorso depois. Deu uma espiadela discreta para trás. Ele o seguia não muito de perto, como sempre. Estava fitando o chão, como quem procura um buraco para enfiar a cara. Nesses momentos só tinha uma coisa que lhe restava fazer. Parou de andar. “Sesshoumaru, vem aqui.” O garoto obedeceu prontamente. “Tenho que me ausentar por algum tempo. Quero que fique aqui, me esperando. Sem perambular.” “Hai.” “Enquanto estiver fora, preciso que tome conta da Tessaiga pra mim. Acha que pode fazer isso?” Por um momento, o menino lhe pareceu surpreso
demais para manter sua indefectível pose de durão. Dava até
pra ver um “quase” sorriso quando ele segurou a espada, infelizmente, ainda
grande demais para que coubesse em sua cinta. Não resistiu e afagou-lhe
a ponta da franja, um gesto não muito usual, mas que passou despercebido
face ao fascínio absoluto que seu filho tinha por aquela espada
em particular. Não podia negar que sua vida havia mudado bastante
desde que se tornara pai. Mas até que tinha seu lado divertido.
Os olhos dourados se abriram, apenas para lembrá-lo que ainda estava no mesmo lugar, em meio à mais completa escuridão. Ainda era capaz de enxergar, é claro, não que isso fizesse alguma diferença. Há quanto tempo havia se metido naquela caverna idiota? Dois ou três dias... Provavelmente os outros youkais que viviam ali já tinham até arranjado outra morada. Azar o deles. Tinha a sensação de que havia cochilado ou algo assim. Uma boa coisa já que não estava mais com a cabeça doendo tanto e nem tão pesada. De todo modo, já havia cumprido a pior parte, a que se referia a Jaken e Rin. Eles se arranjariam bem de qualquer jeito. Provavelmente iriam viver com Inuyasha e seus amigos humanos. Era até apropriado em se tratando de uma humana como Rin. Jamais havia entendido como acabaram ficando juntos durante tanto tempo mesmo... Podia sentir a pulsação da espada Toukijin. Não se lembrava mais do porquê de tê-la desembainhado. Contudo, não a guardou de volta. Era como se mover o braço fosse lhe consumir esforço e concentração que não estava disposto a desprender. Talvez acabasse ficando ali, sentado, pelo resto de seus dias. Irônico já que jamais gostara de cavernas. O incomodava o ar enclausurado, a sensação de estar em meio a paredes de rocha das quais youkais fracos e animais dependiam para sobreviver. Eventualmente sairia dali. Ainda tinha um assunto pendente. No entanto, voltou a fechar os olhos. Não se incomodaria se dormisse novamente. Ao menos assim conseguiria tolerar melhor aquela caverna estúpida, que subitamente se tornara o lugar mais do que apropriado para sua pessoa. Depois, sua última obrigação
podia esperar um pouco mais.
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Capítulo 3 Fanfic por Ana-chan & Lalachan Copyright Rumiko Takahashi/Yomiuri TV/Sunrise/Shounen Sunday Glossário: Baka: idiota, imbecil -chan (sufixo): um diminutivo carinhoso, usado com quem é mais jovem que você, garotas ou amigos próximos. Chichi-uê: forma antiga e respeitosa de se dirigir ao pai, quer dizer algo mais ou menos como: "papai que está acima de mim" ^_^ Daiyoukai: como são chamados os youkais mais poderosos. Hanyou: Meio-youkai Katana: espada Kitsune: raposa Miko: sacerdotisa -sama: sufixo após o nome que indica uma forma muito respeitosa de se dirigir à pessoa, geralmente com alguém de hierarquia superior, como por exemplo os senhores feudais, imperadores, príncipes, princesas, monges, sacerdotisas, etc. Youkai: criatura sobrenatural da mitologia japonesa, um tipo de espírito da natureza, que pode derivar de figuras de animais ou plantas. Voltar a Inuyasha Fanfics |