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Fanfic por Ana-chan & Lalachan
Capítulo 1: Órfãos - Ane-uê! Vem vindo alguém! Sango levantou a vista, parando o que estava fazendo ou correria o risco de se machucar. Estava polindo um osso muito afiado quando Kohaku entrou todo animado no galpão de armas. Sorriu para o irmão. Sempre se maravilhava em ver como crescera nos últimos anos. Já parecia quase um rapazinho. Ainda mais agora, com a expressão iluminada pela alegria em ver alguém que ela sabia ser especial para ele. Por isso nem precisava perguntar de quem se tratava. Mas perguntou mesmo assim. - Quem é? - É a Rin-chan! Vem, vamos recebê-la, ane-uê! Ela deixou o osso triangular de lado, que lembrava um pouco sua antiga arma de exterminar youkais, agora quase sem uso... e seguiu o irmão em direção ao portão da fortaleza que cercava o vilarejo dos caçadores de youkais. Franziu a testa ao avistar três figuras ao invés de uma se aproximando da entrada, cercada por paredes feitas com toras de madeira. Kohaku devia ter estado de vigia na plataforma superior do portão por isso os vira antes, mas realmente estava surpresa de ver que teriam três visitantes. Nas visitas anteriores, até constantes, Rin sempre viera sozinha. Mas agora, Jaken e o dragão de duas cabeças com o nome esquisito estavam com ela. Realmente estranho... Esperou ao lado do irmão enquanto eles se aproximavam. Kirara pulou em seu ombro, ronronando baixinho de encontro ao seu ouvido. Ela alisou a cabeça da gatinha, distraidamente. Pena que Kagome e Inuyasha não estavam ali agora, mas suspeitava que logo estariam de volta, afinal já fazia três dias que viajaram para o outro lado do poço. Aparentemente Kagome estava tendo dificuldades em seu tempo de novo com os estudos. Mesmo que agora não houvesse mais problemas com Naraku e a Jóia de Quatro Almas, algumas coisas nunca mudavam. Miroku também estava ausente. Só esperava que seu marido monge não aprontasse algo justo dessa vez em que levara Higen com ele. Sorriu levemente, sentindo saudades de seu filhinho de dois anos. Seu sorriso morreu um pouco quando pôde ver a face de Rin mais de perto, agora que já estavam quase chegando ao portão. A expressão dela era de puro desespero, misturado com perplexidade. Parecia completamente perdida. Olhando para Kohaku, viu que ele também percebera. Colocou um braço ao redor do irmão, suavemente, em um gesto tranqüilizador. - Há algo errado, não é? ele murmurou ainda olhando para a menina e os dois youkais que se aproximavam. - Parece que sim. Mas vamos esperar que eles nos contem, certo? Kohaku assentiu, sério. Finalmente eles chegaram, e Sango pôde olhar melhor para a face de Rin. Esta parecia estar concentrando todas as suas forças em não chorar. Nas mãos trazia algo que parecia ser uma katana enrolada em um pano. Os olhos castanhos e perdidos percorreram tudo e ela soube que a menina devia estar procurando por Kagome. Deu um passo a frente, estendendo-lhe a mão. - Olá, Rin-chan... Que bom que veio nos visitar. Está tudo bem? - Kagome-sama... Kagome-sama não está? ela murmurou, ainda olhando em volta como que para certificar-se do fato. - Não, ela foi para casa, mas deve voltar logo. Vocês não querem entrar? estendeu o convite também a Jaken e ao dragão de duas cabeças que até agora não haviam se mexido do lugar. Houve um momento de hesitação entre ela e Jaken, como se não encontrar Kagome ali desfizesse todo um acordo anterior feito entre eles. Aquilo estava ficando cada vez mais estranho. - Obrigada, Sango-san. Gostaríamos de esperar por ela. Vamos, Ah-Un, Jaken... chamou os outros. Isso mesmo, lembrou, o nome do dragão era Ah-Un. Sango havia esquecido, mas também Rin nunca viera visitá-los junto com ele, muito menos com Jaken. Aliás, este parecia ainda relutante em aceitar o convite. - Rin... Acho melhor fazermos o que eu falei! Isso não me agrada... - Jaken-sama, por favor! Kagome-sama vai voltar logo... não vai, Sango-san? ela voltou-se para a exterminadora com os olhos brilhantes de lágrimas não vertidas, pelo menos não ainda. Não pode deixar de reparar que Rin também crescera bastante desde que a vira pela última vez. Olhou para Kohaku, que ainda se mantinha calado mas não menos preocupado com o clima que se instalara entre aqueles dois. Sango fez que sim, mesmo que não tivesse certeza do momento exato em que Kagome estaria de volta. Fosse qual fosse o problema, tudo indicava que não poderia esperar. Daria um jeito de descobrir e enquanto isso, cuidaria deles. Os youkais estavam acostumados a andar dias e dias pela floresta, mas o estado de Rin clamava por mais atenção do que o normal. Começando pela expressão abatida de seu rosto, e as olheiras. Desconfiava que deviam estar mesmo andando há vários dias sem parar. - Rin... você está com fome? perguntou assim que todos entraram na casa maior do vilarejo dos caçadores. Todos, menos Ah-Un, que ficou pastando do lado de fora da casa. Geralmente quando fazia essa pergunta quem respondia era o estômago da menina... mas agora, foi o silêncio. Rin se sentou em um canto do cômodo, olhando para o chão, as mãos ainda agarradas na katana embrulhada, que recostou no próprio ombro. Sua cabeça se mexeu em uma negativa vaga. Sango achou melhor não insistir. Depois daria um jeito de fazê-la comer algo. Virou-se para o irmão. - Kohaku... acenda o fogo. Vamos preparar algo para eles comerem. Kohaku obedeceu, e Sango aproveitou para tentar extrair alguma informação sobre a situação inusitada em que agora, todos eles se encontravam. Rin muda encolhida em um canto, pelo visto disposta a falar apenas com Kagome sobre o que quer que tivesse acontecido com eles. Mas tudo bem, afinal Rin e Kagome sempre tiveram uma ligação muito forte. Só restava a ela tentar conseguir algo com o sapo youkai puxa-saco de Sesshoumaru, Jaken. O que a fez lembrar... onde será que o meio-irmão de Inuyasha estava agora? Afinal, se Rin viera atrás de Kagome era porque aqueles três não podiam contar com ele. - Então... virou-se para Jaken aconteceu algum problema com vocês? Onde está o Sesshoumaru? Sango julgou ouvir um soluço vindo de Rin a menção do nome do youkai, mas quando olhou para ela, a menina continuava na mesma posição. - Eu não queria vir, não queria mesmo! Eu falei tantas vezes, vamos tentar alcançá-lo! Mas não... Rin sabe ser teimosa quando quer! Insistiu para virmos para cá, e agora temos que ficar esperando a Kagome voltar? É como eu falei, não deveríamos ter vindo! - Alcançar quem? Do que está falando? O youkai parou de falar, como se tivesse soltado algo que não devia. Rin continuou sem reação. Sango sabia que se não fosse mais agressiva não conseguiria saber nada, pelo menos não até Kagome retornar de fato. - Olhem... não sou a Kagome, mas vocês podem confiar em mim. E a Kagome pode acabar demorando para voltar. Me contem o que aconteceu, prometo fazer o que puder para ajudar. Silêncio. Sango podia sentir que o youkai sapo estava simplesmente ansioso para falar. Pressionou mais um pouco. - Foi algo com o Sesshoumaru? Era tudo uma questão de paciência. Sabia que Jaken não demoraria a abrir o bico. Nunca fora muito difícil arrancar qualquer coisa dele, afinal. O pequeno youkai deu um breve suspiro antes de começar a falar. Deu também uma breve olhadela em Rin, mas esta escondera a cabeça entre os joelhos e permanecia imóvel. Não parecia mais se importar com nada a sua volta. Jaken limpou a garganta antes de começar seu relato. - Tudo isso é tão inacreditável, e tão terrível... mas eu vou lhe contar, embora me cause uma grande angústia lembrar... Tudo começou há três dias. Sesshoumaru-sama esteve sumido por mais tempo do que o normal, e quando voltou... Jaken fez uma pausa, apurando a memória para que o relato fosse fiel. Mas Sango desconfiava de que seria rebuscado e melodramático. Não importava, pelo menos conseguiria afinal descobrir que diabos estava acontecendo. Kohaku já acendera o fogo e colocara uma panela de ensopado para ferver, e o cheiro invadiu o cômodo, enquanto Jaken se preparava para continuar. - Quando Sesshoumaru-sama
voltou, veio falar conosco... e eu jamais esquecerei suas terríveis
palavras, mesmo que ainda viva mil anos...
Sesshoumaru-sama... desculpe-me mas não estou entendendo... o senhor está nos dizendo para... irmos embora? A pergunta ficou suspensa no ar, sem resposta pelo que pareceu uma eternidade. Não havia nem mesmo uma brisa que desfizesse a impressão de imobilidade que tomara conta de tudo. Era como se eles estivessem presos no tempo. Até mesmo Ah-Un parara de pastar e parecia prestar atenção. Rin, parada ao lado do dragão, não desgrudava o olhar do rosto de Sesshoumaru, as mãos apertadas em volta de um ramo de flores que ela coletara aquela manhã, como vinha fazendo todo dia, para o caso do youkai retornar. E ele de fato retornara, depois de tanto tempo ausente, mas ela não tivera a menor chance de sequer falar com ele, que se dirigira ao Jaken assim que chegara, e pronunciara coisas que ela ainda lutava para digerir. Para contrastar com seu silêncio aturdido, Jaken falava sem parar. Ela viu que não era a única a se sentir dentro de um sonho terrível... daqueles que você não consegue acordar. Quero acordar, quero acordar..., pensou, apertando mais as flores nas mãos suadas pelo nervosismo, sem sentir que as unhas pequenas começavam a arrancar sangue das palmas. Sesshoumaru-sama... por favor, este Jaken fez algo que desagradasse o senhor? Eu o ofendi de alguma maneira? Eu peco mil perdões, não foi minha intenção! Eu sou um servo mau, servo mau! Jaken começou a bater na própria cabeça, enquanto lagrimas já escorriam de seus olhos Por favor, Sesshoumaru-sama, perdoe Jaken! Mas não é possível que queira nos deixar! Este Jaken sempre serviu e sempre servirá o senhor com toda devoção... Sesshoumaru-sama! Enquanto Jaken continuava suas lamúrias, Rin não estava realmente escutando. Seu mundo se resumira a olhar para a expressão de Sesshoumaru, ainda parado em frente a eles. Aquela expressão parecia a mesma de sempre, exceto... exceto pelos olhos. Por mais sério e fechado que ele sempre houvesse sido, sempre sentira que uma vida brilhava por detrás daqueles olhos dourados, por mais que ele não demonstrasse. Mas agora, tal brilho se apagara. Sesshoumaru não olhava para eles, olhava através deles, como se não houvesse mais ninguém ali. E era isso que a estava apavorando mais do que tudo, esses olhos vazios de quem não está neste mundo. Como se ele estivesse agora em um mundo diferente que ela não podia ver nem alcançar. As flores caíram de suas mãos e foram se depositar no chão sem que ela se desse conta. ... e Jaken fará de tudo para ajudar, se houver alguma coisa que Jaken possa fazer, e só dizer, Sesshoumaru-sama! Mas não nos deixe, por favor, Sesshoumaru-sama... Jaken. O pequeno youkai parou de falar imediatamente e levantou a vista, pois estivera o tempo todo implorando agachado, com o rosto quase enterrado no chão. Jaken olhou esperançoso para seu mestre. Pare com isso. Sim, senhor, Sesshoumaru-sama! Tudo o que quiser, tudo o que o senhor desejar! Como já disse, vocês estão livres para seguirem suas vidas. Eu não quero mais que me sigam. Não quero mais a companhia de ninguém. Espero ter sido claro. Sim, senhor, o senhor foi bem claro... mas... Sesshoumaru-sama!! Por favor, eu imploro... se estivermos sendo um estorvo para o senhor, daremos um jeito! Se o senhor precisa ficar fora mais tempo, eu cuido da Rin, como sempre tenho feito, e nós esperaremos pelo senhor! Sesshoumaru-sama, eu espero pelo senhor ate o fim da minha vida se for preciso... Sesshoumaru simplesmente deu-lhe as costas, e agora Rin não podia divisar-lhe mais o rosto. De qualquer forma, em nenhum momento ele ao menos olhara para ela, embora o comunicado tivesse sido feito a todos eles. Jaken agora se desfazia em lágrimas abertamente, sem se preocupar mais em manter um mínimo de dignidade. Rin estava atônita demais para chorar ou esboçar qualquer reação. Só sabia que aquele pesadelo estava demorando mais do que o normal para terminar. Ele começou a se afastar, os longos cabelos prateados ondulando suavemente com a brisa que soprava agora, como se para amenizar a dor que viera com suas palavras. Jaken então lançou mão do último argumento, aquele que esperava que pudesse tocá-lo de alguma forma, já que seus apelos não haviam resultado em nada. Sesshoumaru-sama... e quanto à Rin? O senhor vai abandoná-la? O que vai ser dela agora? Ele parou de andar, mas não se voltou. Jaken suspirou de alívio. Sabia que nem tudo estava perdido! A pirralha era mesmo especial para ele, já fazia tempo que se dera conta disso e agora, seria ela que o faria mudar de idéia. Não importava. Ele simplesmente não podia deixar Sesshoumaru-sama ir embora. Na verdade, a pergunta poderia ser aplicada a ele também. O que seria de Jaken sem seu lindo mestre para seguir e agradar pelos séculos afora? Não, isso não podia acontecer! Mas agora, ele voltaria e diria que sim, Jaken tinha razão, não poderia abandonar Rin. Ficaria tudo bem. Ele esperou, já sentindo o coração mais leve. Sesshoumaru se virou e andou em direção a Rin, que continuava petrificada no lugar. Ele parou bem em frente a ela, abaixou o olhar e encarou-a. Os mesmos olhos vazios... olhando através dela, perfurando-a mais dolorosamente do que a declaração que ele fizera há momentos. Rin teve dificuldade em sustentar seu olhar, pois as lágrimas toldavam sua visão. Tinha a terrível sensação de que aquela seria a última vez que poderia olhar para ele. Sendo assim, se manteve firme, embora sua vontade fosse de se agarrar à roupa branca dele e não soltar nunca mais. A mão dele se dirigiu à própria cintura, tirando a Tenseiga de dentro da faixa. Fique com ela. ele disse simplesmente, estendendo a espada para ela. Rin ficou olhando para a espada estendida em sua direção por um longo tempo, até que finalmente suas mãos trêmulas a pegaram pelo cabo, trazendo-a junto ao corpo. Ela abaixou a cabeça, sem coragem de olhar mais para ele. Diante daquilo, até Jaken emudecera, e não protestou mais quando Sesshoumaru se virou e começou a se afastar novamente. Já era noite. Eles continuaram naquele lugar, imóveis, mesmo depois que o youkai de cabelos longos desapareceu no negrume da floresta. Rin continuava olhando para o chão, e lágrimas continuavam fluindo de seus olhos, indo cair no chão de terra salpicado pelas flores que ela coletara há tanto tempo... em um outro mundo, uma outra era tão distante. Suas mãos
pequeninas apertaram mais ainda a espada de encontro ao seu corpo, como
se aquilo fosse tudo o que lhe restasse a fazer além de chorar.
- O que houve, Inuyasha? perguntou Kagome ao sair de dentro do poço come-ossos, com alguma dificuldade pois sua mochila amarela dessa vez vinha abarrotada de coisas gostosas que trouxera para os amigos da era feudal. Inuyasha até esquecera de ajudá-la a sair, e parado em pé, diante do poço, fungava o ar, de olhos fechados. Kagome depositou a mochila pesada no chão e franziu a testa. - Que foi? - ela insistiu, e ele olhou para ela, com a expressão intrigada. Sua mão apalpou a Tessaiga. - Estranho... não sinto o cheiro dele... - Cheiro de quem? - ... do Sesshoumaru... mas a Tessaiga... ela está vibrando, Kagome. - O meio youkai apertou a bainha da espada posso senti-la mesmo através da bainha. Ela pulsou assim que saí do poço. - Você quer dizer... que a Tenseiga esta próxima? Inuyasha assentiu, e Kagome pôde ver que ele ficara realmente preocupado. Mas será que era motivo para tanto? Já fazia muito tempo que os encontros entre os dois irmãos não resultavam mais em brigas intermináveis. Eles até já haviam, mesmo levados pela força da situação, lutado juntos contra um inimigo comum. - Não estou gostando nada disso... Kagome! Suba em minhas costas, rápido! Kagome obedeceu, não
sem antes colocar a pesada mochila nas próprias costas. Assim que
montou nas costas dele, Inuyasha disparou como um raio em direção
à vila dos caçadores de youkais. Definitivamente, havia algo
muito errado no ar...
- Chichi-uê! Chichi-uê! Lá... lá... Shipô! Shipô! Miroku sorriu para o filho pequeno que pulava a sua volta enquanto andavam pela trilha, sentindo uma vontade enorme de pegá-lo no colo, mas infelizmente não podia já que vinha com os braços abarrotados de mantimentos, o pagamento pelo último exorcismo no vilarejo. Bom, sabia que deveria ajudar de graça, mas não fazia mal aceitar uma ajudinha de vez em quando. Só esperava que Sango não ficasse muito brava. Olhou na direção que Higen apontava. O demônio raposa vinha correndo serelepe na direção deles. - Hei, Shippou! Apareceu em boa hora... me ajude aqui com essas coisas, assim posso pegar Higen no colo! - Olá, Miroku! Higen-chan!! Shippou sorriu alegre para o menino que agora dava risadas gostosas, pois o pequeno youkai acabara de se transformar em um pequeno cavalinho. Ele logo montou todo feliz no animalzinho, e Miroku suspirou. -... Ou... você pode ir levando o Higen... obrigado de qualquer jeito! Mas... por onde você andou afinal? - Fui visitar a Souten! - De novo? Miroku riu divertido, quase não se fazendo ouvir por causa das risadas de Higen Ei, Shippou, quem diria... está mesmo apaixonado! - Olha quem está falando! Mas... e o Inuyasha e a Kagome? - Quando saí de casa ontem eles ainda não haviam voltado... mas... Miroku parou de andar de repente espere, sinto alguém se aproximando... por trás! virou-se alerta. Shippou desfez a transformação imediatamente e pôs-se na frente de Higen. Mas logo relaxou, ao sentir um cheiro conhecido. Um não, dois, na verdade... - São o Inuyasha e a Kagome! Ei...estão vindo realmente rápido! Eles esperaram que o meio-youkai irrompesse pela trilha, trazendo Kagome nas costas como sempre fazia. Inuyasha estancou em frente a eles, a expressão urgente na face. - Miroku, Shippou!! exclamou antes que eles dissessem qualquer coisa - Tem algo errado, vamos para o vilarejo dos caçadores agora, rápido! dizendo isso saiu em disparada não dando a chance deles responderem. Mas Miroku já largara tudo no chão e pegou Higen no colo, começando a correr. Shippou logo pulou em seu ombro. Logo conseguiram alcançar Inuyasha. - Inuyasha, nos diga o que está acontecendo! - A Tessaiga vibrou quando sai do poço! A Tenseiga esta próxima, mas não sinto o cheiro do Sesshoumaru! Inuyasha resumiu, correndo mais rápido ainda. Miroku gelou por dentro, aumentando a velocidade também. Se a Tenseiga estava por perto, mas Sesshoumaru não, isto significava que... Não se permitiu
pensar mais nisso. Só ficaria tranqüilo quando pudesse ver
sua esposa novamente, sã e salva. Junto ao seu peito, enfiado por
dentro de seu traje de monge, Higen dava gritinhos animados, achando que
aquilo era só mais uma brincadeira. Inconscientemente apertou-o
mais de encontro ao peito, enquanto fazia de tudo para acompanhar o ritmo
desenfreado de Inuyasha em direção ao vilarejo dos caçadores.
- ...e isso foi tudo que aconteceu. finalizou Jaken, engolindo uma porção do ensopado que Sango servira a eles. Rin nem tocara em sua tigela, continuando na mesma posição de antes, o que já estava preocupando realmente a caçadora. O sapo youkai suspirou, parecendo mais melancólico agora que terminara seu relato. Sesshoumaru-sama nos deixou... oh, que grande desgraça, que coisa mais triste... Jaken não entende até agora porque isso aconteceu... uma tragédia! Uma grande tragédia... Sango ia responder quando alguém irrompeu pela porta como um furacão. - Inuyasha!! Todos, até mesmo Rin, se voltaram para a figura de vermelho parada em frente à porta, esbaforida, a Tessaiga transformada em punho, pronto para a ação. - Sango! Kohaku... estão todos be... sua entrada foi um pouco prejudicada por Miroku que o empurrou para a frente, quase o fazendo tropeçar. Baka, por que fez isso?? - Inuyasha... está tudo bem, guarde a Tessaiga. Realmente estava mais tranqüilo agora. Não sentia ameaça de youkais em parte alguma, e já vira que Sango e Kohaku estavam bem. Claro que já vira os visitantes também, e já começara a entender o porque da Tenseiga estar ali. Inuyasha guardou a espada, um pouco emburrado. Atrás deles, surgiu Kagome sorrindo aliviada trazendo Higen pela mão e Shippou no ombro. - Gente, que saudade! Estão todos bem, né? Nossa, temos visita! Rin-chan!! Jaken?? Kagome estranhou ver o sapo youkai ali também. Rin levantou os olhos e encarou Kagome como se não estivesse acreditando no que via. - Haha-uê!! Higen se soltou da mão de Kagome e correu para a mãe, que o acolheu em um abraço carinhoso. Kirara pulou no meio dos dois, miando satisfeita e esfregando a cabeça por entre as mãos pequeninas de Higen, que a pegou no colo. - E eu, também não ganho abraço? - Só se tiver se comportado, senhor monge! Sango lançou-lhe um olhar enviesado, mas estava reprimindo um sorriso. - Hi... mau sinal você me chamar assim! Miroku piscou-lhe um olho ou será que não? Kagome aproximava-se de Rin que continuava encolhida, agarrada com algo que poderia ser uma espada embrulhada em um pano. - Rin-chan... está tudo bem? O que houve? Finalmente as barreiras emocionais da menina desabaram totalmente e ela explodiu em lágrimas enquanto se refugiava nos braços de Kagome, ainda agarrada à espada embrulhada, como se o colo da miko fosse a única coisa que pudesse salvá-la de seu tormento. Todos ficaram meio aturdidos. A menina parecia ter desaprendido tudo o mais que não fosse chorar, e não respondia aos apelos de Kagome para que contasse o que acontecera. Enfim ela sentou-se no chão acomodando Rin junto a si, consolando-a com carinhos em seu cabelo, apenas deixando-a expressar sua tristeza livremente. - Pessoal... sentem-se, vamos comer alguma coisa, enquanto explicamos o que aconteceu. Jaken já nos disse algumas coisas... Todos atenderam o pedido da exterminadora, sentando-se em volta da fogueira acesa no meio do recinto, em uma abertura no piso de madeira. O ensopado ainda fervia na panela suspensa acima do fogo, e todos foram se servindo. - Posso repetir toda a estória, se desejarem! Oh, que terrível tragédia, que tormento contar tudo de novo... mas jamais esqueceria mesmo que ainda vivesse mil anos... Sesshoumaru-sama... - Er... não, Jaken, pode deixar que eu falo para eles! apressou-se Sango a cortá-lo, enquanto dava uma tigela com ensopado para Higen, uma para Kirara e também para Shippou. - Mas afinal, Sango... o que está acontecendo? O que houve com o Sesshoumaru, ele morreu por acaso? perguntou Inuyasha. - Inuyasha!! sibilou Kagome em sua direção, ao sentir os soluços de Rin em seu colo aumentarem. seja mais sensível! E vamos ouvir a Sango! O meio-youkai resmungou algo entredentes, mas acabou ficando quieto. Todos voltaram a atenção para Sango. - Pelo que Jaken já nos contou, Sesshoumaru ordenou a eles que... Sango lançou um olhar para a figura encolhida nos braços de Kagome, e suspirou bom, ele ordenou que não o seguissem mais. E também deu a Tenseiga para a Rin. Em resumo foi isso. - Então, ele os abandonou, não é? Miroku disse em tom de voz muito baixo, e Sango assentiu. Mas, assim, do nada? Não teve um motivo, alguma coisa que tenha acontecido? - Jaken Kagome dirigiu-se ao youkai sabe de alguma coisa que possa explicar isso? Você segue o Sesshoumaru há muito tempo, não é verdade? - Oh, sim, muito tempo! Séculos, na verdade! Por isso mesmo foi um choque para mim ouvir tais palavras de Sesshoumaru-sama... ser abandonado desta maneira... eu que sempre o servi tão lealmente, com toda minha dedicação... - Mas, Jaken, se o servia há tanto tempo, não pode nos dizer mais nada? Algo diferente que tenha notado em seu comportamento? indagou Miroku. - Bom, o que posso dizer... Sesshoumaru-sama sempre costumava sumir de tempos em tempos, e eu ficava com a Rin e o Ah-Un, mas ele sempre retornava. Só que dessa vez, ele demorou muito mais do que todas as outras vezes juntas. Cheguei até a pensar na terrível possibilidade de Sesshoumaru-sama não retornar mais. Foi terrível... - Jaken, pare de enrolar! disse Inuyasha de repente alguma coisa aconteceu para causar isso. O Sesshoumaru não iria se desfazer da Tenseiga dessa maneira. - Mas eu já disse, eu não sei o que pode ter acontecido! - Aonde ele ia quando sumia? Você tem alguma idéia? perguntou Miroku. - Não... Sesshoumaru-sama jamais nos deu satisfação de suas andanças. São assuntos privados de Sesshoumaru-sama, este Jaken jamais sonharia em se intrometer! - Ele estava ferido ou algo assim? - Não, Sesshoumaru-sama estava como sempre esteve. - Acho que ele está falando a verdade, gente cortou mais uma vez Sango, antes que Jaken começasse mais uma vez a listar as infindáveis qualidades de seu mestre. Aninhou um quase adormecido Higen no colo, pensativa mas isso tudo está mesmo muito estranho... - Põe estranho nisso... murmurou Miroku considerando tudo o que sabemos, ou seja, nada, lançou um olhar acusador para Jaken, que pareceu se encolher teremos que analisar todas as possibilidades... Kagome olhou para Rin, encolhida em seu colo. Ela finalmente parara de chorar, isso porque simplesmente chorara até adormecer. Seu coração se apertou. Não conseguiria imaginar o tamanho do sofrimento que a menina devia estar carregando dentro de si todo aquele tempo. - Ela finalmente dormiu disse, alisando-lhe o cabelo castanho. Kirara aproximou-se delas e miou bem baixinho, mas Kagome fez-lhe um sinal para que não a acordasse. - Deve estar sendo terrível para ela. observou Sango. - Sim... o mundo dela era seguir Sesshoumaru. Acho que a pobrezinha ainda está em choque. Kagome gentilmente retirou a espada de suas mãos. Rin mesmo adormecida ainda a segurou um pouco mas acabou por deixá-la ir. Talvez porque se sentisse mais segura agora que estava nos braços da outra única pessoa em quem confiava cegamente. Depositou a espada ainda embrulhada com pano, que agora todos sabiam ser a Tenseiga, no chão ao seu lado, com cuidado. A triste herança de um abandono. Onde será que estava seu dono anterior agora? - Bom, agora temos que considerar o que fazer. Obviamente aconteceu algo muito sério com o Sesshoumaru para ele abandonar as pessoas de seu grupo dessa maneira. Temos que tentar descobrir o que... - Por que nos temos que descobrir? Acho que não. O que temos com isso afinal? O Sesshoumaru sabe se virar sozinho muito bem. Kagome se virou para Inuyasha, e só não lhe lançou um senta por Rin já se encontrar adormecida. Mas que insensível! - Mas nós não podemos simplesmente não fazer nada, Inuyasha! Temos que ajudar. apontou com a cabeça para a menina encolhida em seus braços. A expressão do meio-youkai se suavizou só um pouco, mas logo sua testa se franziu. - Quem falou em não ajudar, Kagome? Claro que a Rin pode ficar conosco. Ela vai ficar até melhor junto com a gente do que vagando por ai atrás do Sesshoumaru. - Inuyasha, eu concordo com a Kagome. disse o monge - Isso tudo é estranho demais para ficarmos omissos. - Também acho. concordou Sango. - Eu também! disse Shippou, mas diante do olhar ameaçador de Inuyasha ele fugiu para trás de Kagome antes que levasse um cascudo como sempre. O meio-youkai bufou contrariado e se levantou de sopetão, se dirigindo para a porta. Ele já nos causou problemas demais hoje, com toda essa confusão. Eu achei que havia um youkai perigoso atacando por aqui! Ele nos deu um grande susto, isso sim! Bah...Eu não estou nem aí para o Sesshoumaru, se querem saber!! e após dizer isso saiu porta afora. Mas ninguém pareceu muito impressionado com a cena. Kagome apenas balançou a cabeça em desagrado. Certas pessoas nunca mudavam mesmo... - Que triste... Mesmo depois de tanto tempo Inuyasha ainda odeia Sesshoumaru-sama... eu sabia que não era uma boa idéia da Rin virmos para cá suspirou Jaken de cabeça baixa, desolado. - Ah, não ligue para ele, daqui a pouco ele volta. Tenho certeza de que à sua maneira também está bem preocupado com o irmão. Kagome sorriu gentil para Jaken, pois subitamente ficou com pena do pequeno youkai, que parecia ter perdido toda a motivação para viver. Ninguém poderia negar sua total dedicação, isso era certo... - Bom... e então, o que me dizem de partirmos amanhã? sugeriu Miroku, enquanto pegava Higen do colo da Sango para colocá-lo na cama, pois já anoitecera. - Oh... nós vamos mesmo atrás de Sesshoumaru-sama? Que maravilha! Eu sabia que era uma boa idéia vir aqui falar com vocês! disse Jaken animando-se de repente. - Você repetiu várias vezes antes que não queria vir lembrou-lhe Sango, e corrigindo, Jaken: Não só atrás dele, mas também atrás de pistas que expliquem o que está acontecendo. Não sabemos com o que estamos realmente lidando. - Sim, claro! Este Jaken fará de tudo para ajudar Sesshoumaru-sama! Farei o possível e o impossível! - Ótimo! disse Kagome, sorrindo então, não se importará de ficar aqui no vilarejo tomando conta da Rin, não é? Jaken murchou visivelmente, mas teve que concordar. - Amanhã, vamos passar no vilarejo vizinho e deixar Kohaku, Higen, Rin e Jaken com a Kaede. anunciou Sango. - Ane-uê! Por que não posso ir? protestou Kohaku. - Não, é melhor você ficar fazendo companhia a Rin-chan também, Kohaku-kun aconselhou Kagome Ela vai precisar de toda a ajuda possível. Você compreende, não é? - Sim. ele concordou, olhando para a figura adormecida no colo de Kagome.- tudo bem. Logo todos já estavam se acomodando para dormir. Levantariam cedo na manhã seguinte para seguirem viagem. Quando todos já dormiam a sono solto, Kagome se levantou do seu futon e depois de checar Rin, saiu da casa, sendo recepcionada pelo ar frio da noite, levando algo nas mãos. Sabia exatamente onde encontrar Inuyasha. Estava sentado no galho mais alto de sua árvore preferida. Kagome parou embaixo dela, a brisa fria e insistente invadindo o interior de seu pijama de algodão, fazendo-o dançar em volta de seu corpo. - Kagome, volte para dentro, ou vai pegar um resfriado. logo veio a voz de Inuyasha lá de cima. Ela suspendeu o rosto e sorriu-lhe, mas ele continuava a olhar para o céu. - Eu volto, Inuyasha. Só vim lhe entregar isto. ela mostrou-lhe a Tenseiga, que trouxera nas mãos, já livre do pano que a envolvia antes. Finalmente ele olhou para baixo, encontrando seu olhar. Droga, que constrangedor que o conhecesse tão bem. Constrangedor ou tranqüilizador, ele ainda estava por decidir. Saltou para o chão, ficando em frente a ela. Em segundos já despira a parte de cima de sua roupa de pele de rato de fogo, e a envolveu com ela, protegendo-a do frio da noite. - Baka... murmurou, sem pensar em mais nada para dizer. Aproximou-se e beijou-a levemente nos lábios, em seguida a abraçou, sentindo a Tenseiga entre eles como se fosse um obstáculo para que ficassem mais próximos naquele momento. Afastou-se, um pouco emburrado, mas ela ainda sorria. - Vou voltar agora, não precisa fazer essa cara. Tome deu-lhe a Tenseiga, e ao ver que ele não a recebia, simplesmente a enfiou em sua cintura, ao lado da Tessaiga. E não fique muito tempo aqui fora, venha dormir também. Amanhã vamos levantar bem cedo, você sabe. Ele não respondeu, apenas ficou olhando-a se afastar, o tecido vermelho de pele de rato de fogo em seus ombros se agitando com o vento frio da madrugada. - Sim, eu sei. murmurou mais para si mesmo, sua mão direita tocando no cabo da Tenseiga como se atraída por ela. Envolveu lentamente o cabo com a mão, não sentindo nenhuma rejeição por parte da espada. Depois envolveu o cabo da Tessaiga. Era estranho que parecesse tão... certo ter as duas juntas na cintura. Como se elas se completassem de alguma maneira. Vida e morte, renascimento e destruição... duas espadas feitas dos caninos de um mesmo pai. E deixadas para os dois filhos mais diferentes entre si que já existiram. Ou assim ele gostava de pensar. Por isso não
pensou mais no assunto, voltando também para a vila dos caçadores
para descansar um pouco, agora com as duas espadas juntas em sua cintura,
perfeitamente acomodadas entre a faixa de sua roupa, inseparáveis,
como dois irmãos jamais conseguiriam ser.
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Capítulo 2 Fanfic por Ana-chan & Lalachan Copyright Rumiko Takahashi/Yomiuri TV/Sunrise/Shounen Sunday Glossário: Ane-uê: Irmã mais velha, forma de japonês antigo Baka: idiota, imbecil -chan- (sufixo) um diminutivo carinhoso, usado com quem é mais jovem que você, garotas ou amigos próximos. Chichi-uê: forma antiga e respeitosa de se dirigir ao pai, quer dizer algo mais ou menos como: "papai que está acima de mim" ^_^ Haha-uê: forma antiga e respeitosa de se dirigir à mãe. Katana: espada -kun: (sufixo) diminutivo usado com homens jovens,(forma de tratamento mais íntimo) Miko: sacerdotisa -sama: sufixo após o nome que indica uma forma muito respeitosa de se dirigir à pessoa, geralmente com alguém de hierarquia superior, como por exemplo os senhores feudais, imperadores, príncipes, princesas, monges, sacerdotisas, etc. -san: (sufixo) maneira formal de dirigir-se a alguém pelo nome, mais ou menos como "senhor" ou "senhora" Youkai: criatura sobrenatural da mitologia japonesa, um tipo de espírito da natureza, que pode derivar de figuras de animais ou plantas. Voltar a Inuyasha Fanfics |